quinta-feira, 9 de julho de 2009

Perfil de Patativa do Assaré

Dimas Macedo

Nasci em 1956, na região Centro-Sul do Ceará, quase em confluência com o Cariri cearense e à relativa distância da cidade de Assaré, terra natal de Patativa. Sou produto, portanto, do grande sertão e acho, sinceramente, que fui ungido pelo signo que marcou a estréia de dois gigantes da literatura brasileira do século precedente.
1956, não podemos esquecer, é o ano da publicação de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e de Inspiração Nordestina, de Patativa do Assaré. O que une estes dois escritores e o que os consagra é a originalidade com que recriaram, com linguagem nova, a ciranda das palavras, a partir da memória e da oralidade, valores com os quais o sertão sempre se reveste.
Se Riobaldo constitui o idioma poemático de Rosa e o engenho da sua versão encantatória do mundo, Patativa do Assaré é, ele próprio, um conjunto de engenhos e personas e de representações pragmáticas que empresta voz aos excluídos: um Riobaldo castigado pela inclemência das secas, a lapidar o ouro das palavras e a reconstruir o chão da esperança.
Assim como o autor de Sagarana, Patativa do Assaré inventou uma linguagem e um estilo literário próprios e criou um dialeto linguístico de raízes predominantementes sertanejas, ligadas à oralidade e ao cancioneiro, lembrando, neste ponto, a constituição da língua brasileira, fundada por José de Alencar. E nisto, com certeza, reside a genialidade múltipla e singular da sua produção artesanal.
Patativa é, a seu turno, a encarnação viva do sertão, a palavra enquanto instrumento de denúncia, a significação sinfônica do silêncio, a oralidade que mapeia e ordena a literatura e a gramática que se fazem, por fim, transmutadas ao campo da escrita.
Conta o poeta Patativa que, aos oito anos, ouvindo a melodia e o gorgeio dos pássaros, despertou definitivamente para os grandes sentidos da palavra e da sua existência no mundo, pois que a natureza possui uma lei eterna e infalível e que aos deuses e poetas é facultada a criação enquanto princípio de interpretação de todas as coisas existentes.
O homem, com certeza, não é grande pela sua erudição ou pela sua razão ou pela capacidade de domínio com que enfrenta as convenções e se adapta à liturgia do poder. Ele é eterno, ao contrário, pela fundação da sua verdade pessoal e pela formação do seu mito face aos desafios da realidade que lhe é circundante.
Se Rosa deu voz a Riobaldo e Riobaldo deu voz ao sertão dos tangedores de gado e bandoleiros do Meridional, Patativa do Assaré falou, com destemor e bravura, de homens e mulheres imantados ao chão do latifúndio e excluídos do processo político e social.
Não foi, como pensam certos setores da cultura livresca e acadêmica, um poeta ingênuo e apartado dos valores da língua e da gramática. Estudou manuais de versificação, soube aceitar a cegueira completa de um olho, aos cinco anos de idade, como sinal do destino ou da predestinação que faria dele uma espécie de Camões sertanejo ou, melhor dizendo, um Homero do semi-árido nordestino.
Em Castro Alves viu a expressão maior da poesia do Brasil. Apaixonou-se, desde cedo, pelo social. Tornou-se, com o tempo, um homem destemido e exasperadamente verdadeiro e sincero. Proclamou a verdade e a justiça como paradigmas. Foi atingido pela repressão e a censura. Foi detido por questionar, em versos de bom feitio literário, a legitimidade de certo gestor da sua terra. E foi um defensor exaltado da poesia como valor maior da sua passagem entre nós. Fez da denúncia o seu apostolado e dos seus recursos vocais e estilísticos a expressão maior do seu alto poder de criação.
Foi um prodigioso memorialista e um político sutil e maneiroso das reinvidicações da cearensidade e da nordestinidade sertanejas. Lutou pela Anistia e as Diretas, opôs-se ao poder oficial, e apoiou, no Ceará, a luta pela modernidade da política e do governo, fazendo, por fim, de Assaré, o maior e o mais astucioso atalho do sertão.
Memorizou e fez a melodia de quase uma dezena de poemas que foram musicados e que se tornaram bastante conhecidos no Brasil. Gravou, com a sua voz de passarinho, uma meia dúzia de discos e CDs. E se fez partícipe, como arranjador ou letrista, de outros cinquenta discos e compactos. Foi ator de novela e de cinema, declamador da radiofonia, cantador de viola, cordelista, sonetista e improvisador de apurada técnica literária.
Sobre ele foram escritos diversos livros e opúsculos e, bem assim, teve a sua obra estudada em variadas teses e ensaios. Mas Patativa, é certo, apesar de conhecer diversos estados do Brasil, sempre viveu em Assaré, onde nasceu aos 5 de março de 1909 e onde faleceu aos 8 de julho de 2002.
Teve não mais que quatro meses de escolaridade. Sobreviveu do plantio de grãos e da lavoura da terra. Sempre botou roças no inverno e, nos anos de seca, passou necessidades e agruras e militou, durante toda a vida, em soberano estado de pobreza. Quando largou a viola, em 1962, os emblemas da voz e da palavra ritmada passaram a ser o ganha-pão.
Não cantou os seus males pessoais, nem as suas desditas, nem o seu penar. E não vangloriou a sua condição de mito ou poeta de projeção nacional.
Rejeitado pela cultura letrada da Academia, tornou-se, em Fortaleza, nome de um Centro Acadêmico de uma Faculdade de Letras, no contexto da UFC. O seu nome não consta nos compêndios oficiais da literatura cearense, mas o seu cânon é um dos mais apreciados do Brasil. É um dos poetas que mais vendem livros entre nós, ao lado, talvez, de Castro Alvos e de Drummond. A Editora Hedra, de São Paulo, já republicou quase todos os seus livros. E a Editora Vozes, de Petrópolis, já reeditou uma quinzena de vezes o seu Cante Lá Que Eu Canto Cá, com milhares de exemplares vendidos em todos os recantos do Brasil.
A Academia Cearense de Letras não o elegeu para os seus quadros e o teve sempre na linha da poesia popular, julgada, pelos homens do fardão acadêmico, de extração inferior. As Universidades cearenses, inicialmente e durante toda a sua vida, se mantiveram longe do seu nome; mas, quando ele passou a ser traduzido e estudado em Universidades francesas e inglesas, resolveram lhe conferir honras acadêmicas. Se tornou Doutor Honoris Causa em quatro dessas instituições. Mas nesta ordem, necessariamente: primeiro os leitores, em seguida a mídia, depois as medalhas e o coroamento oficial e, por último, a distribuição das láureas acadêmicas.
Patativa, no entanto, é muito maior do que isto. É um gigante das letras e um grande poeta da tradição popular ocidental. A sua poesia se impõe. A sua expressão cultural sempre se levanta. E a sua melodia é a costura precisa com que ele se anuncia músico. E expõe a sua condição de oráculo. É o arauto maior do nosso povo e a síntese de tudo o que veio antes dele, em termos de cultura sertaneja e de representação dos excluídos que nunca poderam falar.
Antônio Gonçalves da Silva é o seu nome. O lugar em que nasceu chama-se Serra de Santana, a dezoito quilometros do centro de Assaré. Seus pais eram agricultores. Viviam do plantio e da lavoura da terra. E assim também seus irmãos e seus familiares. Casou-se com uma parenta, dona Belarmina Paes Cidrão, e tiveram, em comum, uma boa ninhada de filhos.
Aos vinte anos, levado por um primo, fez uma viagem ao Estado do Pará, onde viveu de cantorias e arribações, sendo, pelo folclorista cearense, José Carvalho de Brito, ali residente, cognominado de Patativa. Brito o devolveu ao Ceará, com carta de apresentação a Juvenal Galeno. Foi aplaudido em Fortaleza, mas o destino o levou de volta para o sertão do Ceará.
Recolheu-se na Serra de Santana e em Assaré entre 1930 e 1945, aproximadamente. Seu nome se espalhou pela serra e pelo vale, ganhou o sertão dos Inhamuns e desceu soberano pelas águas mansas do rio Jaguaribe. Cantou, de viola em punho, em cidades vizinhas e adotou, como pseudônimo, aquele pelo qual se tornou universalmente conhecido – Patativa do Assaré, tamanha a revoada de Patativas, nessa época, por todo o Ceará.
Em 1955, foi ouvido por um velho e bom intelectual do Ceará, radicado no Rio, José Arraes de Alencar, quando declamava, na Rádio Araripe do Crato, os seus poemas de expressivo gosto musical. Nasceu, a partir deste fato, o poeta com direito a livro publicado. Inspiração Nordestina, de 1956, é, portanto, o seu primeiro livro de poemas.
O segundo viria em 1970. Não um livro autoral do próprio Patativa, mas um conjunto de poemas organizado pelo folclorista J. de Figueiredo Filho – Patativa do Assaré: Novos Poemas Comentados.
Em 1978 vem a lume o seu livro mais conhecido – Cante Lá Que Eu Canto Cá, publicado pela Editora Vozes, de Petrópolis, em convênio com a Fundação Padre Ibiapina, do Crato, com apresentações de Plácido Cidade Nuvens e do Padre Francisco Salatiel de Alencar.
Ispinho e Fulô seria a sua próxima coletânea de poemas, organizada por Rosemberg Cariri e publicada em 1988, com apresentação e estudo-reportagem do próprio Rosemberg, que produziu, sobre o poeta, documentários importantes no campo das artes visuais.
O que veio em seguida, em matéria de livros, está condensado nos seguintes títulos: Aqui Tem Coisa, publicado em 1994, pela Secretaria de Cultura do Estado, e Cordéis (Fortaleza, Editora da UFC, 1999), reunião, em único volume, do básico que foi produzido nessa área pelo grande poeta cearense. Devemos a Gilmar de Carvalho, o maior estudioso da sua vida e da sua produção, a organização desse livro-monumento, que foi adotado, como livro-texto, em vestibulares da UFC.
A fortuna crítica de Patativa do Assaré é imensa e diversificada. Existem altos e baixos nessa produção. Aponto o volume de Plácido Cidade Nuvens – Patativa do Assaré e o Universo Fascinante do Sertão (1995) como ponto de partida, pois é um livro de comentários fabulosos e impressionistas onde se ouve a voz do coração. O livro segue a tradição dos estudos caririenses sobre o poeta, a começar por J. de Figueiredo Filho (1970) e que tem prosseguimento com Francisco de Assis Brito, com seu conjunto de ensaios – O Metapoema em Patativa do Assaré: Uma Introdução ao Pensamento Literário do Poeta (1984).
Outro roteiro interessante sobre Patativa é o que se acha condensado em O Poeta do Povo: Vida e Obra de Patativa do Assaré, de autoria de Assis Ângelo, acompanhado de um CD com poemas declamados pelo poeta (São Paulo, CPC-Umes, 1999). Este livro, de formato gráfico belíssimo, pode e deve ser lido paralelamente com o suporte da antologia de Sylvie Debs – Patativa do Assaré: Uma Voz do Nordeste (São Paulo, Editora Hedra, 2000), no âmbito da coleção Biblioteca de Cordel e cujo estudo que a antecede eu igualmente recomendo.
Gilmar de Carvalho publicou a melhor e a mais extensa entrevista concedida pelo poeta – Patativa Poeta Pássaro do Assaré (2000) e é autor do eruditíssimo e bem concatenado livro de ensaios e estudos – Patativa do Assaré: Pássaro Liberto, editado pelo Museu do Ceará, em 2002. Organizou também a melhor e a mais criteriosa antologia poética do autor, publicada em Fortaleza, em 2001, pelas Ediçoes Demócrito Rocha. Em 2000 deu à lume um precioso livro de bolso, contendo uma síntese didática e pedagógica em torno da vida e da obra do poeta.
Tadeu Feitosa, professor da UFC e jornalista, é o organizador do bonito álbum de textos e fotografias do poeta e do seu entorno sertanejo, publicado pela Editora Escrituras de São Paulo, em 2001. E é autor, por igual, do ensaio crítico-interpretativo do poeta, intitulado Patativa do Assaré: A Trajetória de um Canto, também da Editora Escrituras (2005), que é, no caso, a sua tese de Doutorado em Sociologia.
O livro de Cláudio Henrique Sales Andrade, As Razões da Emoção: Capítulos de uma Poética Sertaneja (Fortaleza, Editora da UFC, 2004), é o resultado de uma Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Trata-se de um ensaio instigante e muito bem fundamentado em torno da poética de Patativa e da sua grande autenticidade. Uma leitura crítica, por assim dizer, tecida com as luzes da razão e da sensibilidade, acompanhada de uma pesquisa de campo que nos encanta com a sua riqueza. Um livro para ser lido e intuido, pensado e degustado como todas as boas iguarias que somente o sertão sabe oferecer.
A despeito das reclamações de Gilmar de Carvalho, de que o poeta foi esquecido pelos reelaboradores da nossa historiografia literária, alguns passos, pelo menos, foram dados neste campo: Oswald Barroso e Alexandre Barbalho incluíram Patativa na antologia – Letras ao Sol (Fortaleza, Edições Demócrito Rocha, 1998), o que já é um avanço.
Em 2001, Patativa viria a figurar na coletânea – Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século, organizada por José Nêumane Pinto e publicada pela Geração Editorial, de São Paulo. E em 2006, passou a fazer parte da Coleção Os Melhores Poemas, da Editora Global, também de São Paulo, o que já é uma consagração. A antologia, organizada por Cláudio Portela, é uma das mais volumosas dessa coleção, e é antecedida de uma introdução bastante apressada e resumida, mas o roteiro de fontes, no final do volume, é razoavelmente bem pesquisado, apesar da confusão metodológica em que se enreda o organizador, que foi prejudicado, acredito, pelo suporte técnico e revisional da Editora.
Antes, em 1989, no meu livro A Metáfora do Sol, no âmbito do ensaio - “Sobre a Formação das Letras Cearenses” - , eu já havia, pioneiramente, arrolado o poeta Patativa qual um nome emblemático da literatura que se produziu no Ceará, isto é, da literatura cearense tomada a partir da sua evolução e abrangência histórica.
Ali divisei em Patativa a grande voz social da poesia cearense e também me referi à ressonância nacional da sua poesia. E registrei, ademais, que os seus livros “são atestados inequívocos da afirmação de um poeta de quem todo o Ceará se orgulha e em cuja obra o Ceará se vê também retratado”.
Por fim, faço minha as palavras de Gilmar de Carvalho, no sentido de que “Patativa do Assaré é a grande voz da poesia do Brasil”, não sei se “de todos os tempos”, mas, com certeza, a voz mais legítima, a mais expressiva e aquela em que a verdade e a justiça, a língua e a cultura melhor se encontram, em busca de um sentido novo para a identidade mais profunda do Brasil. Refiro-me ao Brasil que as elites tentaram dizimar mas nunca conseguiram, porque não somos, em essência, um Estado sem nação, e porque a nação é o pluralismo de suas etnias e o somatório das suas diferenças.

Dimas Macedo
dim.macedo@hotmail.com

domingo, 28 de junho de 2009

No reino da informática

Emerson Monteiro

No filme 2001: Uma odisséia no espaço, o computador de bordo (protótipo de máquina inteligente (Hal 9000, abreviatura de Hardware Abstract Layer, ou Camada de Abstração de Hardware) de uma nave especial resolve, de iniciativa própria, confrontar seus operadores, no que, ao ser descoberto e desligado, antes elimina um dos dois tripulantes.
A propósito dessa película famosa de Stanley Kubrick, em face do acidente momentoso do voo 447, da Air France, percurso Rio de Janeiro - Paris, ao custo de mais duas centenas de vidas, a humanidade presencia hipótese semelhante, de máquina que quebra a linha do resultado previsto, porquanto uma possível pane dos computadores de bordo da aeronave, precedente dos mais perigosos, acha-se no meio das conjecturas que deram causa à ocorrência.
No caso, a possibilidade de falha humana não se descarta, contudo a falha mecânica, ou eletroeletrônica, merece urgente consideração. Enquanto isto, milhares de aviões, a todo instante, alimentados pelos dados e circuitos de tais preciosidades da técnica, circulam o alto dos céus, dentro de condições idênticas às do fatídico voo.
E como abordar esse personagem indispensável do cenário contemporâneo, computador, a onisciência da informática, que tomou o lugar das limitações humanas? Aonde chega o antigo projeto da liberdade, demanda dos sonhos inúmeros da multidão laboriosa?Isso traz à baila alguma abordagem quanto ao domínio da máquina sobre o ser humano, recorrência da ficção científica desde as primeiras horas da cibernética.
Os comuns adoradores da oitava maravilha tecnológica bem que reconhecem, as melhores máquinas tendem a desobedecer (não por maldade, num juízo de valor) às leis da robótica e, frias, sofisticadas, imperam no mundo percentual dos riscos mínimos inesperados, haja vista série de fatores, porquanto perfeição absoluta ainda inexiste, nas variáveis da ciência e da técnica. Por refinadas que se proponham peças e equipamentos, margem inelutável de erro persiste, no horizonte do provável. Os chamados paus das máquinas vez por outra impõeem graves danos às corporações, mais dia, menos dia, conclusão salutar, devido à exaustão dos materiais, às condições atmosféricas, ao inesperado seqüencial do desenvolvimento dos sistemas, dentre outros, e à ação do homem, seu genial criador.Visto quando na terra, vá lá que se possam reparar os impasses. Contudo nas alturas ou nas profundezas oceânicas, implicariam noutras interpretações e sequelas por vezes drásticas.
De tanto ceder território a esse império das máquinas, a história demonstra assim o grau da dependência extrema da civilização a geringonças, no altar do fetichismo, o que reduz as margens da segurança de todo o esforço de geração à cômoda opção de rendição total à inconsciência. A submissão de tais pressupostos conduzirá a sociedade a um comando central (ao Grande Irmão, de George Orwell), ou significará o início da jornada coletiva em prol da consciência clara do que se fará da fabulosa produção capitalista dos objetos industriais.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Um apóstolo do bem

Emerson Monteiro

Através do noticiário da noite, neste 15 de junho de 2009, soube do desaparecimento do Dr. Silas Munguba, médico amazonense radicado no Ceará, que dedicou o melhor de seus dias ao tratamento dos dependentes de drogas, em Fortaleza, por meio da instituição Desafio Jovem, clínica especializada que criou e manteve durante 35 anos.
Algumas vezes o visitei na sede do Desafio, à Avenida Dedé Brasil, na capital do Estado. Ali ouvi um tanto a respeito dos métodos de tratamento e orientação que utilizava e desenvolvia. Certa feita, assisti, pela TV Ceará, a uma longa entrevista dele, quando contava de suas experiências bem sucedidas na cura de centenas e centenas de jovens. Sábio e persistente, atravessou com denodo crises financeiras sérias para dar andamento ao trabalho empreendido sem o patrocínio de terceiros.
Ouve-se dizer, os mais exaltados, que a nossa humanidade recende a maldade, que maioria incontável de gente apenas quer usufruir o prazer material, a riqueza, a fama e os valores negativos da insossa vaidade. Execram as pessoas humanas indiferentes e citam como base os políticos pilantras, que dilapidam o patrimônio público em favor pessoal e dos cúmplices, indiferentes à multidão sofredora.
No entanto existe a versão contrária de que no mundo habitam heróis anônimos que mantêm a ordem dos acontecimentos. Não contássemos com esses e a ordem quebrar-se-ia, o caos tomaria de conta da sociedade e de tudo.
Creio nisso, nos que, de jeito solidário, silencioso, elabora os dias na senda do amor e de realizações de comum desconhecidas da mídia sensacionalista.
Em lugares os mais afastados, rincões distantes das luzes dos holofotes e de festas desvairadas, emergências de hospitais produzem assistência constante, nas madrugadas, e os abrigos da velhice relegada ao segundo plano permitem sobrevidas, em redutos abandonados pelos poderosos, líderes abnegados e prontos ao serviço da caridade, ao amor em ação, firmes e desinteressados de frutos particulares. Tais exemplos de bravura realizam obras imensas em prol de milhões, a preservar a continuidade perene da bondade.
Uma perda considerável sofrem, assim, as lideranças cearenses que se dedicam aos cuidados de nossa juventude.
Dr. Silas Munguba retrata um desses testemunhos luminares da doutrina de Jesus, que prega coerência entre o que se estuda e pratica, demonstração viva na familiar e no ambiente comunitário. Agora chega o momento do galardão conquistado ao salvar almas na vitória contra o vício. Um minuto de silêncio, por isso, para se reconhecer as bênçãos auferidas desse amigo de tantos jovens que encontraram o conforto da paz nas suas mãos de luz.

domingo, 14 de junho de 2009

Lá qualquer dia

Emerson Monteiro

A função de escrever resulta, de tempos em tempos, nalgumas providências que independem da pura vontade individual. Quando menos se espera, volta a antiga pulsão de tanger no branco da folha palavras, as quais reunidas produzem sons inteligíveis para nós e para outros. Sons e pensamentos. Algo semelhante, quero crer, à disposição dos pássaros de trinarem no alto das árvores, isto sem que recebam comandos. As flores de se abrirem no vergel. Os sapos de croaxarem nos brejos. As lesmas de deixarem rastros brilhantes nas paredes. Etc. Nisso, retornam os questionamentos do que, em essência, satisfaz o viver de cada um.
Tempos atrás, coisa de poucos anos, andei lendo a propósito de uma nova disciplina que se desenvolve no Brasil, sobretudo para as bandas do Rio Grande do Sul. A Filosofia Clínica. Trata-se de jeito nascido nos cafés filosóficos de Paris, quando o conhecimento da Filosofia torna-se veículo suficiente a tratar de situações pessoais de conflito e instrumentar os clientes para, por si, responder às grandes questões pessoais da existência. Diante desse encaminhamento, encontram as soluções necessárias a viver em paz, conciliar-se com o universo em volta.
Na realidade, há que se achar o motivo do ato de conhecer. Afinal, na busca de explicação para o existir, nos deparamos com infinitos recursos através do estudo. Não fosse a tal maneira, para que tanto furor de pensar e aprofundar pesquisas quanto a alma?
Bom, as escolas religiosas atuais, ainda que busquem na oração, no trabalho, ritual, comunidades, multidões, meios de ampliar seu público para a Salvação, dispõe, nos inícios, das justificativas filosóficas necessárias a neutralizar as correntes contrárias e os adversários materialistas. Todas dispõem das bases doutrinárias que lhes dão respaldo, no correr das formações originais.
Haja um tempo de aprofundar perguntas e as grandes questões da existência (de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos?, base primeira da Filosofia), e nuvens se condensam para chover conceitos fundamentais a estruturar o pensamento como um todo útil e necessário.
Nos mergulhos intensos das indagações, surge matéria prima às atitudes. Desde o modo niilista, do nada em troco de existir, o materialismo puro, ao misticismo extático, que justifica e conduz à perene felicidade, quando se apresenta o gosto religioso de caminhar nas trilhas deste mundo.
O importante nisso tudo representa a auto-suficiência que persistir e aceitar o veículo do pensamento qual fórmula clássica do encontro consigo próprio, com os outros e com a realidade viva da existência.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

LANÇAMENTO

A escritora lavrense, Rejane Monteiro Augusto Gonçalves lançará no dia 17 de junho, às 19 horas, no Ideal Clube o livro "Os Augustos". Ela complementa a obra iniciada por Joaryvar Macedo ,trazendo as informações atuais de uma das famílias mais tradicionais de Lavras da Mangabeira. O trabalho será apresentado pelo conterrâneo, escritor, poeta e idealizador da Academia L avrense de Letras, Dimas Macedo.


Os Augustos

Lavras é uma das cidades do Ceará de traço social mais sólido. E a sua história política é uma das mais fascinantes do Estado.

Capital do Vale do Salgado e porta de entrada para o Cariri, em seu solo cultivaram-se, à larga, o algodão e a rapadura, até meados do século precedente. E hoje ali se cultivam a memória do seu passado glorioso e o altíssimo abandono do seu patrimônio arquitetônico.

O município de Lavras, no entanto, caminha soberano para o seu segundo centenário, a perfazer-se a 20 de maio de 2016; três anos, portanto, após o quarto jubileu da sua freguesia, criada aos 30 de agosto de 1813.

São muitos os tesouros do seu contributo cultural. É terra de artistas famosos, quais Sinhá d’Amora, Gilberto Milfont, Aury Porto, Vicente de Paroca, Bruno Pedrosa e Nonato Luiz. E de escritores consagrados, oito deles na Academia Cearense de Letras. E mais: é pátria de três senadores, quatro ministros, cinco desembargadores, quinze deputados estaduais ou federais e quarenta e quatro sacerdores da ordem secular.

Fideralina Augusto Lima é a sua principal representação no plano mitológico e na política que se fez à margem dos partidos. A Família Augusto é o traço social icônico da sua genealogia. É a mais expressiva de todas as famílias do lugar. A mas alta. A que mais se distinguiu em honras e em grau de expressão no plano estadual.

Joaryvar Macedo, o autor deste livro, é o historiador mais destacado da velha Atenas Cearense; e Rejane Augusto é a continuadora da sua tradição.

Este livro – Os Augustos –, publicado, de primeiro, em 1971, faz-se agora revelado em 2ª edição (Fortaleza, Editora ABC, 2009), revista, reavaliada e atualizada pela paciência e a determinação de Rejane Augusto, encarnação da mulher lavrense que nunca deixou de pelejar.

Segue Rejane neste livro o seu intinerário: o coroamento dos seus projetos de pesquisa, que já montam a cinco, em volumes que estão de pé, honrando a tradição dos seus augustos ancestrais.

Louva-se, pois, a genealogia cearense com a reedição deste livro seminal, tecido com as linhas da história oral e ancestral e com a metodologia da pesquisa que se fia também na verificação dos registros mais originais.

Rejane e Joaryvar estão completamente inteiros neste livro; e a Família Augusto e os que a ela se achegaram, também. É parceria, portanto, que deve perdurar, referência que são esses Augustos da nossa mais viva e vera tradição.

Fortaleza, inverno de 2009

Dimas Macedo

domingo, 24 de maio de 2009

CONGRESSO DA LÍNGUA PORTUGUESA EM BRASÍLIA

A Academia de Letras de Brasília realizará em novembro um grande Congresso da Língua Portuguesa. Serão debatidos os temas mais diversos que interessam a nós brasileiros que somos os maiores usuários do idioma. Precisamos tomar consciência agora do importante papel do Brasil na CPLP e no mundo.


PROGRAMAÇÃO



CONGRESSO DA LÍNGUA PORTUGUESA EM BRASÍLIA

SOLENIDADE DE ABERTURA

Dia 19/11/09 (quinta-feira)

Às 19h30

Presença do Professor Fernando Haddad - Ministro da Educação

Local: MUSEU NACIONAL DA REPÚBLICA

Esplanada dos Ministérios

PROGRAMAÇÃO DIÁRIA

(Local: Universidade Católica de Brasília – QS O7-LOTE O1-EPCT- ÁGUAS CLARAS-TAGUATINGA- BRASÍLIA – DISTRITO FEDERAL

Dia 20/11/09 (sexta-feira)

Às 9h

Palestra: A LÍNGUA PORTUGUESA E A CIBERNÉTICA

Palestrante: Magnífico Reitor José Romualdo Degasperi – Universidade Católica de Brasília

Moderador: Professor Virgilio Pereira Almeida - Diretor do Curso de Letras / UCB

Debates: 9h20 às 9h30.

Às 9h30

Palestra: A LÍNGUA TRANSPORTA VALORES

Palestrante: Professor Adriano Moreira - Presidente da Academia das Ciências de Lisboa.

Moderador: Acadêmico José Carlos Gentili – Presidente da Academia de Letras de Brasília

Debates: 9h50 às 10h

Às 10h

Palestra: A LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL

Palestrante: Professor Cícero Sandroni – Presidente da Academia Brasileira de Letras

Moderador: Acadêmico Adirson de Vasconcelos

Debates: 10h20 às 10h30

Ás 10h30

Palestra: ACORDO ORTOGRÁFICO

Palestrantes: Professor João Malaca Casteleiro - Academia das Ciências de Lisboa

Professor Evanildo Cavalcante Bechara - Academia Brasileira de Letras

Moderador: Professora Maria Zélia Borges - Universidade Mackenzie de São Paulo.

Final dos debates: 11h

Às 14h

Palestra: UNIVERSO ESTRATÉGICO DA LÍNGUA

Palestrante: Embaixador Jerônimo Moscardo – MRE (Fundação Alexandre de Gusmão) - Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais

Moderador: Acadêmico Sérgio Couri

Debates: 14h20 às 14h30

Ás 14h30

Palestra: LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Palestrante: Professor Marcelo F. Vasconcelos Cavalcanti – Diretor-Geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES

Moderador: Acadêmico Raul Canal

Debates: 14h50 às 15h

Às 15h

Palestra: O BRAILE E O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Palestrante: Professora Érica Deslandes Magno Oliveira – Diretora-Geral do Instituto Benjamin Constant – IBC

Moderador: Acadêmico Innocêncio Viegas

Debates: 15h20 às 15h30

Às 15h30

Palestra: CAPACITAÇÃO DA DOCÊNCIA

Palestrante: Professora Stella Maris Bortoni Ricardo - COLIP (Comissão da Língua Portuguesa).

Moderador: Acadêmico Iran de Lima

Debates: 15h50 às 16h

Às 16h

Palestra: EDUCAÇÃO – UMA PRIORIDADE NACIONAL

Palestrante: Senador Cristovam Buarque

Moderador: Acadêmica Edylcéa Nogueira De Paula

Debates: 16h20 às 16h30

Às 16h30

Palestra: O BRASIL E A CPLP

Palestrante: Deputado Federal José Fernando Aparecido de Oliveira

Moderador: Acadêmico William de Carvalho

Debates: 16h30 às 17h

DIA 21/11/09 (sábado)

Às 9h

Palestra: A PROTEÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL À LÍNGUA PORTUGUESA

Palestrante: Subprocurador-Geral da República Adalberto Nóbrega

Moderador: Acadêmico Romildo de Azevedo – Vice-Presidente da Academia de Letras de Brasília

Às 09h30

Palestra: O PAPEL DA MÍDIA NA DIFUSÃO DA LÍNGUA

Palestrante: Jornalista Alexandre Garcia - TV Globo

Moderador: Acadêmico Ulisses Riedel

Debates: 09h50 às 10h

Às 10h

Palestra: ENSINO A DISTÂNCIA - UMA PRIORIDADE NACIONAL

Palestrante: Professor Celso José da Costa – Diretor de Educação à Distância - CAPES/MEC

Moderador: Acadêmico Ático Vilas Boas

Debates: 10h20 às 10h30

Às 10h30

Palestra: A LÍNGUA PORTUGUESA NO FUTURO

Palestrante: Professor emérito Wamireh Chacon – Universidade de Brasília

Moderador: José Carlos Gentili – Presidente da Academia de Letras de Brasília

Debates: 10h50 horas às 11h

Às 11h

ENCERRAMENTO DO CONGRESSO

Informações e Inscrições: Fone: (61) 3448-7250

Campus II UCB, SGAN 916 – Módulo B, sala 239

CEP 70790-160 – Brasília – DF

Email: clpbras@gmail.com

Secretário: João Maia